quinta-feira, 5 de abril de 2012

E a menina - agora cansada - perdeu o costume de sempre guardar tudo pra ela, e assim foi falando, falando, falando... Até que começa a esquecer só o que não queria esquecer e a lembrar tudo aquilo que não queria lembrar. E no final o acontecimento recente já não significava mais felicidade, só novidade; e o passado - tão guardado e engolido a força - só foi fazendo aquele nó na garganta dar mais voltas e voltas, até que não conseguia falar mais. Até não saber quem realmente era.

Agora a menina só escreve, só espera, só anseia pelo seu grande momento e indaga por entrelinhas. Por que com ela as coisas também não podiam ser mais certas, simples e bonitas? Por que no meio de tanto desapego, meu Deus, havia tanto apego? 




“Agora é assim, primeiro eu. Quem não gostar das regras, não joga. Tô feliz, acredita? Olha só a irônia, fui buscar o amor e já tinha. Fui tentar ser feliz e já era. Fui tentar me encontrar e me perdi. E, que loucura, precisei me perder pra me valorizar. Coração vazio e sorriso cheio, que assim seja.”

— Tati Bernardi 


“— E o que a gente vira quando vai embora de alguém?
E o Senhô respondeu:
— Uns viram pó. Outros caem igual estrela do céu. Outro só viram a esquina… E têm aqueles que nunca vão embora.
— Não? E eles ficam onde, Senhô?
— Na lembrança.”